A 13 de Março 2020, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia lançou um webminar sobre o Covid-19: “Onde estamos e para onde vamos?”
Foram abordados diferentes temas sobre esta doença e aqui apresentamos um resumo sobre os tópicos mais relevantes a nível científico.
- Os coronavírus são uma família de vírus que, no geral, têm como reservatório primário e secundário espécies animais não humanas e são, por vezes, capazes de atravessar a barreira das espécies e infetar organismos humanos (sendo as doenças consequentes chamadas de zoonoses). Isto leva a que haja infeções em massa, pois a espécie humana não possui qualquer tipo de imunidade contra estes microrganismos devido à falta de contacto.
- Existem várias estirpes de coronavírus, sendo que quatro destas são na verdade bastante comuns e responsáveis por 15-30% das constipações consideradas “normais”. A quinta estirpe a ser descoberta, mais conhecida por SARS-CoV, infetou entre 2002-2004 milhares de pessoas e considera-se atualmente extinta. A sexta estirpe, mais conhecida por MERS foi descoberta em 2012 e apesar de diminuir a sua incidência em 2014 não é ainda considerada extinta. Atualmente estamos a enfrentar uma pandemia causada pela sétima estirpe de coronavírus identificada em humanos, o SARS-CoV-2.
- No final de dezembro de 2019, foram identificados na China vários doentes com pneumonia muito severa, esta foi identificada a 7 de janeiro como associada a uma nova estirpe de coronavírus, com 85% de semelhanças genéticas à estirpe responsável pela SARS. A sequenciação do material genético do vírus foi feita no espaço de uma semana revelando informações importantes para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos, mas também possibilitou o desenvolvimento de testes de diagnóstico moleculares específicos para este microrganismo, neste caso por RT-PCR.
- A taxa de mortalidade deste vírus é atualmente considerada cerca de 3,7% (apesar de, em Itália, estes valores subirem para cerca de 6,9% devido à inesperada velocidade de disseminação nesta região). Por comparação com as outras estirpes associadas a infeções em massa, os níveis de mortalidade apresentam-se relativamente baixos e isto pode ser relacionado com o meio de entrada do vírus nas células humanas. A glicoproteína S (que dá o nome ao coronavírus) é a proteína viral responsável por essa entrada, mas apenas quando encontra um recetor nas células do hospedeiro que seja compatível. No SARS os recetores são principalmente ACE2, que é uma enzima que existe principalmente no sistema respiratório inferior e, no MERS, o recetor correspondente era o DDP4, que existe também no rim e no aparelho gastrointestinal. Por essa razão, levou a maiores taxas de mortalidade. Conhecendo os recetores temos capacidade desenvolver terapêuticas direcionadas capazes de alterar ou bloquear a entrada do vírus nas células, impedindo a infeção.
Foram também discutidos vários aspetos clínicos e em seguida houve oportunidade de resposta a diferentes questões e tópicos levantados pelos participantes neste webminar, às quais deixamos aqui alguns exemplos.
- Os vírus vão-se modificando ao longo da infeção – já há 3 variantes (G, S, V). Os vírus têm capacidade de sofrer pequenas mutações que permitem aumentar a capacidade de infeção. Estas variantes podem estar associadas a diferentes apresentações da doença e diferentes padrões epidemiológicos, com mais ou menos gravidade. Atualmente ainda não existem dados sobre a associação das variantes com diferentes apresentações clínicas.
- A possibilidade de imunidade adquirida é ainda um assunto em discussão, ou seja, um paciente que seja infetado e curado à partida não deverá voltar a contrair a doença. No entanto, ainda não se sabe quanto tempo dura esta proteção, nem se esta será aplicável a diferentes variantes do vírus.
- Não há atualmente medicamentos profiláticos. Quanto a este tópico é importante, no entanto, referir que as causas de agravamento de estado clínico estão muitas vezes associadas a co-infeções bacterianas, pelo que a vacinação pneumocócica irá, à partida, diminuir a probabilidade de agravamento do estado clínico por co-infeção.
Fonte
https://www.sppneumologia.pt/noticias/webinar-covid-19-onde-estamos-e-para-onde-vamos-


