Apesar de esta doença ser normalmente caracterizada por sintomas respiratórios, existem vários estudos que começam a reportar a presença do vírus ou do seu material genético em amostras de fezes ou zaragatoas retais, mesmo depois de os testes serem negativos em amostras da nasofaringe. Estes achados sugerem outra forma de transmissão que poderá prolongar-se à transmissão via gotículas respiratórias – a transmissão fecal-oral (característica de outros vírus como o vírus da hepatite A).
Os mecanismos de interação do vírus com o sistema gastrointestinal permanecem desconhecidos, mas é possível gerar hipóteses com base na informação já conhecida: O vírus entra nas células humanas via reconhecimento do recetor ACE2 e este existe também nas células do nosso sistema gastrointestinal, pelo que mecanismos semelhantes podem estar associados aos dois sistemas.
Fontes
Xu, Y., Li, X., Zhu, B., Liang, H., Fang, C., Gong, Y., Guo, Q., Sun, X., Zhao, D., Shen, J., Zhang, H., Liu, H., Xia, H., Tang, J., Zhang, K. and Gong, S. (2020). Characteristics of pediatric SARS-CoV-2 infection and potential evidence for persistent fecal viral shedding. Nature Medicine. [online]
https://www.nature.com/articles/s41591-020-0817-4
Xiao, F., Tang, M., Zheng, X., Liu, Y., Li, X. and Shan, H. (2020). Evidence for gastrointestinal infection of SARS-CoV-2. Gastroenterology. [online]
https://www.gastrojournal.org/article/S0016-5085(20)30282-1/fulltext


